Quarta-feira, Dezembro 10, 2008

No Reino do Irreal




Visões Paralelas, exposição sobre estados alucinatórios entre arte e loucura que esteve no Reina Sofia no ano de 1993. Henry Darger (1892-1973) andava por lá e eu também. A história de Henry Darger emocionou a comunidade científica e artística, Paula Rego, nos anos 80, dedica-lhe a série Vivian Girls.
Orfão de mãe e pai inválido, foi internado aos oito anos numa instituição para deficientes mentais, de onde fugiu aos 16 anos. Trabalhou num hospital como auxiliar durante toda a sua vida. Solitário, recolheu a um lar aos 81 anos, seis meses antes de morrer, deixando o seu quarto entupido com um inacreditável espólio de escritos e desenhos, de que fazem parte, entre outros textos, os 13 volumes de mais de 14 mil páginas de A História das Meninas Vivian nos chamados Reinos do Irreal, da tempestade da Guerra Glandeco-Angeliniana causada pela Revolta dos Meninos Escravos e os 154 desenhos e colagens aguareladas que a ilustram. Henry usava processos gráficos próprios, muito 'up to date' e citando Burroughs, um processo de 'cut up', recorte e decalque de material impresso, desenhos, ilustrações que reutilizava, apropriando-se de imagens diversas para construir as suas.

5 Comments:

Blogger pandoracomplexa said...

O catálogo dessa exposição é incrível....a escolha do Henry Darger deve ter sido difícil cada uma dos autores dava um excelente "post".

9:47 AM  
Blogger {anita} said...

O Darger é impressionante... Aqueles desenhos parecem estar sempre entre a mais cândida inocência e a maior das perversões. Adoro! Um grande artista, dos muitos que andaram (e andam) fechados em hospitais psiquiátricos. Conheces o brasileiro Bispo do Rosário?... outro que tal.

10:59 AM  
Blogger Clara Mazini said...

Fantástico! Descobri essa história há pouco tempo e não consigo deixar de me espantar cada vez que a escuto.
Algumas coisas não acostumam! E é bom que seja assim.
Gostaria muito de ver o trabalho do Darger ao vivo..

11:53 AM  
Blogger alice said...

Além da sua história de vida, Henry sai fora dos clichés deste tipo de desenhos excessivos graficamente e com um horror ao vazio.os dele têm uma componente mais conceptual através da apropriação de imagens de outros, com uma actualidade inesperada. Uma Sherrie Levine dos dementes...

4:15 PM  
Blogger merdinhas said...

...visionários que gostava de poder ver melhor...

11:26 PM  

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